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Empreender por necessidade: como a deficiência exige criatividade e bom humor para promover acessibilidade no Brasil

Por Diversidade na Rua, em 15 de fevereiro de 2018

Antonio Luiz Pereira

Nasci em 86, numa cidade pequena do triângulo mineiro, longe de qualquer informação prática ou teórica sobre pessoas com deficiência. Todos nós aprendemos nesta história; eu, meus pais e a comunidade aprendemos uns com os outros as maneiras pelas quais podemos nos sociabilizar de maneira natural, percebendo o indivíduo com potencial, não as suas limitações.

Cresci em ambiente escolar regular, em um momento que não se falava em acessibilidade. A medida que fui trocando de escola,  cada uma delas foi se ajeitando e criando condições, sem muito padrão, ou boa vontade, para que a minha permanência fosse a mais autônoma possível. 

Ingressei no esporte muito cedo, fiz natação, basquete, tentei ir ao treino de vôlei em barretos, até o técnico da época me dizer que aquilo não era recreação. Já adulto, conheci o Jiu jitsu, esporte que pratico há 9 anos e é pleno de significados que ultrapassam o ambiente de luta.

Antonio está sentado no tatame ao lado de mais quatro lutadores de jiu jitsu.
Antonio está sentado no tatame ao lado de mais quatro lutadores de jiu jitsu.

 

Antonio está sentado ao lado de um homem no tatame. Eles sorriem para a foto.
Antonio está sentado ao lado de um homem no tatame. Eles sorriem para a foto.

Entendo o esporte como ferramenta poderosa para a construção da personalidade, uma vez que nos coloca em contato com as nossas força, medos e nos faz entender os limites e as formas pelas quais podemos empurrar esses limites para um ponto mais além. Hoje estou a 2 meses de colar grau em educação física e tenho como missão a inclusão da pessoa com deficiência, não como um herói solitário, um ser sobrenatural despersonalizado que precisa ganhar um mundo hostil, cheio de barreiras, que atrai toda compaixão e pezar por onde passa, mas como uma pessoa consciente das suas possibilidades, dentro de uma sociedade em constante movimento para naturalizar as diferenças, de modo que a pessoa com deficiência possa ir e vir, como um cidadão pleno de direitos.

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