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Minha trajetória na Educação Especial

Por Diversidade na Rua, em 11 de janeiro de 2018

Por Valquirea Martins Monteblanco

Gostaria de agradecer a MERCUR pelo convite para participar do site do“Diversidade na Rua”, este projeto traduz uma visão abrangente sobre a acessibilidade das pessoas com deficiência em todos os espaços. Tive a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido nesta empresa e fiquei encantada, pois existe realmente uma preocupação com o consumidor, as pessoas podem opinar sobre a utilidade e acessibilidade dos produtos que são fabricados.   

Meu nome é Valquirea Martins Monteblanco, tenho formação em Pedagogia e Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria, sou Psicopedagoga, Especialista no Atendimento Educacional Especializado e Mestre em Educação. Atuo há 20 anos no AEE – em Sala de Recursos Multifuncional em Escola Publica no Município de Santa Maria RS. Em se tratando de escola pública, as dificuldades e as incertezas decorrentes de situações cotidianas frente à inclusão dos alunos com deficiência foram constituindo-se em grandes representações na minha trajetória. Recordo que, ao iniciar minhas atividades, o primeiro desafio foi lidar com o ingresso de uma estudante com Síndrome de Down na pré-escola. Logo, outros estudantes, com os mais variados tipos de deficiência e Transtornos do Espectro do Autismo, foram matriculados na escola. Nesse caminho, busquei vários cursos de aperfeiçoamento profissional. Dentre eles, cito o curso “Capacitação para o Ensino das Pessoas com Deficiência Visual”, que me trouxe a oportunidade de compreender a aprendizagem da leitura e escrita em Braille, a especialização em Psicopedagogia, que propiciou um olhar mais específico sobre o desenvolvimento da aprendizagem dos estudantes e suas peculiaridades em termos de capacidades e dificuldades, e a especialização em AEE, direcionada de forma mais específica aos sujeitos que podem ser beneficiados com o atendimento complementar da Educação Especial na escola.

Valquirea tem cabelo preto, usa óculos e sorri para a foto.
Valquirea tem cabelo preto, usa óculos e sorri para a foto.

De 2004 a 2008, fui convidada a fazer parte do grupo pedagógico da Secretaria de Município da Educação de Santa Maria/RS (SMED). Enfrentei o desafio de trabalhar na gestão da Educação Especial da Rede Municipal de Santa Maria no Eixo Educação Inclusiva. Nesse espaço de atuação, adquiri maior compreensão sobre os projetos, as ações e as políticas voltadas à Educação Especial nos âmbitos municipal, estadual e federal. Atuei como tutora em cursos de formação e especialização a distância pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente desempenho minhas funções de Educadora Especial na Escola Pão dos Pobres Santo Antônio no atendimento educacional especializado em sala de recursos multifuncional. Na escola estudam em torno de 600 alunos dos quais vinte e dois fazem parte do público alvo da educação especial.  O meu trabalho no AEE não se configura apenas na sala de recursos, mas também no apoio e troca de informações com os professores da sala de aula regular, para possibilitar ao aluno com deficiência o acesso aos conteúdos que são trabalhados utilizando os materiais acessíveis de acordo com a especificidade de cada caso. Como temos alguns alunos com deficiência visual (cegos e baixa visão), a alfabetização em Braille e o uso de recursos de tecnologia assistiva, como computadores com sistemas de voz fazem parte das aprendizagens deste público de alunos aqui matriculados. Neste sentido a escola por meio da educação especial tornou-se referência no município de Santa Maria RS.

Valquirea ao lado de quatro alunos com deficiência. Eles sorriem.
Valquirea ao lado de quatro alunos com deficiência. Eles sorriem.

 

Mãos sobre uma tabela periódica.
Mãos sobre uma tabela periódica.

A profissão escolhida por mim traz muitos desafios, mas é extremamente gratificante. A relação de afeto e confiança estabelecida com os alunos é fundamental durante o acompanhamento da trajetória escolar. Ao longo da minha vida pessoal e profissional aprendi que o melhor caminho para as relações afetivas, de trabalho e amizade é o respeito. Respeito às diferenças individuais de cada um, seja na família, no grupo social. Na escola é perceber que os alunos aprendem de maneiras e tempos diferentes e isso independe de ter ou não alguma deficiência.  O que realmente importa são as oportunidades, acreditar que todos nós podemos aprender juntos e sermos sujeitos da nossa própria história. 

Mão digitando em um notebook.
Mão digitando em um notebook.

 

Mão de uma pessoa em cima de um livro escrito em braile.
Mão de uma pessoa em cima de um livro escrito em braile.

 

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