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Reflexões sobre a acessibilidade no ensino superior

Por Diversidade na Rua, em 30 de novembro de 2015

 

A foto mostra uma exposição do encontro que teve sobre acessibilidade no ensino superior no Chile. Fonte: Fonte: Associação de Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear
A foto mostra uma exposição do encontro que teve sobre acessibilidade no ensino superior no Chile. Fonte: Fonte: Associação de Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear

 Ocorreram, nos dias 10, 11 e 12 de novembro, o VII Encuentro de la Red Interuniversitaria Latinoamericana y del Caribe sobre Discapacidad y Derechos Humanos e o IV Encuentro Nacional de Redes de Educación Superior Inclusiva: abriendo caminos para una nueva concepción de inclusión en educación superior, realizados no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidad de Valparaíso, na cidade chilena de mesmo nome.

Tais eventos tiveram como objetivo apresentar trabalhos acadêmicos e experiências práticas com a promoção da acessibilidade no ensino superior dos países da América Latina e favorecer o debate sobre as medidas de inclusão necessárias para as pessoas com deficiência poderem ter um acesso igualitário aos cursos de formação universitária. Eu, estagiária aqui da ADAP e aluna de Jornalismo da Unesp, fui convidada pela Profª. Drª. Sandra Sartoreto, da Unesp de Marília, e pela Sandra Katz, Universidad de La Plata, Argentina, para falar sobre os recursos acessíveis que utilizo na Unesp e representar os universitários brasileiros com deficiência.

As reflexões promovidas no encontro se mostraram de extrema importância para dar voz e representatividade aos estudantes e suas causas. No Chile, 12,9% da população tem alguma deficiência, mas apenas uma de cada 20 dessas pessoas cursa o ensino superior. No Brasil, por mais que as políticas públicas de inclusão tenham avançado da década de 80 para cá, atualmente, de um universo de 6,3 milhões de universitários, apenas 16.328 deles são pessoas com deficiência. E some a esse fato o número total de 45,6 milhões de pessoas que tem alguma deficiência no Brasil, para ver como o acesso à universidade pelas PcDs é ainda extremamente restrito.

Para a inclusão ser de fato efetiva, é necessário ter em mente que, se já sabemos que nenhuma pessoa é igual à outra, as necessidades de cada um também serão diferentes. Não podemos rotular os indivíduos segundo as suas deficiências e estipular medidas acessíveis fixas para cada grupo. Por exemplo, não são todos os surdos que precisam de materiais em LIBRAS, assim como não são todos os deficientes físicos que necessitam de rampas. Como estava escrito em um cartaz mostrado no encontro no Chile, “não se trata apenas de ter direitos iguais, e sim ter o igual direito de ser diferente”. O estudante com deficiência deve ser ouvido e participar ativamente da seleção das adaptações inclusivas que melhor atendam às suas necessidades educativas.
É isso o que a Unesp faz, sobretudo no campus de Bauru/SP. Relatei tais experiências no encontro em Valparaíso, mencionado acima. Desde o momento em que prestei o vestibular na Universidade, tive a oportunidade de explicar minhas necessidades e receber os recursos adequados, tornando meu acesso ao curso igualitário em relação aos outros estudantes. E, graças ao apoio da ADAP, a acessibilidade também se estendeu ao estágio em jornalismo, me possibilitando a prática da profissão. Para saber mais sobre minhas experiências com a acessibilidade universitária, aqui está o meu relato na íntegra, apresentado no evento.

Os recursos de acessibilidade existentes hoje são os de ordens materiais, humanos e metodológicos. Um estudante com deficiência pode precisar de um ou mais tipos desses recursos. Mas, acima de tudo, se faz necessária a participação ativa de todos os atores sociais na inclusão. Não adianta um professor fornecer materiais acessíveis em sala de aula, se o aluno não conseguir chegar até ela devido a um obstáculo arquitetônico, por exemplo. Haverá falhas no aprendizado do estudante se a acessibilidade não for universal. Do mesmo modo, a inclusão não deve estar situada apenas durante o curso, e sim desde o vestibular, com a disponibilidade de recursos para uma realização justa do exame de ingresso.

Precisamos nos conscientizar que a deficiência não é um problema individual, e sim social. É a comunidade que estará perdendo um futuro profissional se não fornecer a ele recursos que promovam seu acesso igualitário aos espaços acadêmicos, técnicos e científicos.
E, para além das políticas de inclusão por meio dos recursos acessíveis, também é necessário continuar a mudança de mentalidade social e quebrar todos os estereótipos. A deficiência, seja ela do tipo que for, não é sinônimo de incapacidade. Pessoas com deficiência não precisam ser superprotegidas pela família ou por outra instituição social. Elas têm o direito a uma vida tão digna, produtiva e independente como qualquer outro cidadão.
Ainda sonho com um mundo em que o universitário com deficiência não seja uma minoria no ensino superior, e que a inclusão social saia da teoria e tenha na prática sua consolidação universal.

Fonte: Texto de Ana Raquel Périco Mangili. Site Associação de Deficientes Auditivos, Pais, Amigos e Usuários de Implante Coclear (ADAP) (link para outro site).  

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