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Autismo: compreender para acolher

Por Diversidade na Rua, em 16 de maio de 2018
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de maio de 2018 às 09:14:10

    Abril acabou, mas um mês é muito pouco para falar e conscientizar sobre o Autismo e as muitas questões de quem adentra este universo. Por este motivo, hoje, a partir das 19h, o projeto Diversidade na Rua, da Mercur, promove um debate online, um espaço de fala e escuta para quem gostaria de saber mais sobre o tema ou pode ensinar algo a respeito. A conversa será mediada pela psicopedagoga Fausta Cristina Reis, mãe de três filhos, entre eles uma garota de 15 anos chamada Milena, com a qual escreve o blog Mundo da Mi, um espaço em que relatam suas experiências e vivências sobre o autismo há 12 anos.

    Participe!

  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de maio de 2018 às 19:01:03

    Olá, boa noite! Tudo bem com vocês? Esperamos que sim. Sejam bem-vindos a mais um debate online no site do Diversidade na Rua. Esperamos que todos tenham uma ótima noite de conversa e de compartilhamento de experiências e ideias com a Fausta. Qualquer dúvida estamos à disposição. Abraços!
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:04:06

    Olá pessoal, boa noite. Meu nome é Fausta Cristina, meus amigos me chamam de Cris. Sou mãe de uma mocinha que tem autism e esse é o motivo de eu ter me tornado uma grande estudiosa do assunto pois além de viver o dia a dia de uma pessoa com autismo, eu também sou psicopedagoga, escrevo há doze anos o blog Mundo da Mi, ajudei a fundar duas associações de pais no Brasil, uma delas é o Instituto Autismo e Vida de Porto Alegre que atua até hoje levando apoio e informação às famílias e lutando pela conquista de direitos. Espero que a gente consiga fazer uma boa troca por aqui. Minha segunda participação no debate aberto, o que para mim é uma grande alegria.
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 19:11:35

      Olá! Sou professora e acompanho uma menina com autismo. Vejo o quanto temos dificuldade de compreender a forma como percebem o mundo. Quando a recebi pela primeira vez, eu não tinha ideia de como agir, fomos aprendendo as duas a se comunicar. Foi complicado, pois o grau de autismo dela é severo, ela não fala e interage pouco. Mas quando nos conhecemos melhor, ficou mais fácil essa interação!
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de maio de 2018 às 19:11:04

    Fausta, que bom tê-la conosco novamente. :) Você poderia nos contar do seu trabalho nos dois Institutos?
    • Fausta Cristina de Pádua Reis
      Fausta Cristina de Pádua Reis

      em 16 de maio de 2018 às 19:15:46

      A notícia do diagnostico de autismo pode ser devastadora e quase sempre vem acompanhada de uma série de perguntas sem respostas. O apoio entre os familiares, a troca de informação mudam tanto o este quadro, dão um norte, mesmo que cada caso seja diferente, mesmo que não haja receitas. Por isso os grupos de pais, familiares e amigos são tão fundamentais. O meu trabalho sempre visou reunir pais, cuidadores e/ou profissionais e trocar informações e vivências. Sempre tivemos muito sucesso. Eu também dava palestras em escolas principalmente, trabalho feito até hoje pelas mães e pais do Instituto Autismo e Vida. Não cobramos nada por nossos serviços pois o intuito é justamente divulgar o autismo e aumentar a conscientização e inclusão destas pessoas na sociedade.
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:18:45

    Luana parabéns pela busca de mais informação e pela atitude acolhedora. São poucas as pessoas que estão dispostas a fazer historia na vida de alguém com autismo. Fico positivamente impactada e cheia de esperanças quando vejo professores aceitando o desafio ainda mais, buscando se informar para trabalhar ainda melhor. Ganham ela, sua aluna e a familia, ganha você, ganha a escola e todos nós!
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 19:28:19

      Sim! Ela é linda e muito amada. Tem seis anos, não fala, mas estamos nos comunicando do "nosso jeito". Aprendemos juntas como usar um giz de cera, a pular, subir escadas... Coisas simples para outras crianças, mas que para ela foram desafios. Hoje ela além de pular, dança! faz arte subindo em sofás, cadeiras... Coisa que nem imaginávamos a um ano. Sempre que posso, busco conversar com pessoas que atuam na área da inclusão para obter partes do processo, porque cada peça que junto e que funciona para o aprendizado dela, é um avanço para todos nós!
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:35:25

    Abordar a inclusão escolar é tão necessário!!! Obrigada Luana por sua contribuição. Sei que os tópicos ficam abertos para leitura posterior, por isso quero fazer algumas pontuações quanto a isso e quem sabe contribuir um pouco também. A pessoa com Autismo tem uma forma muito peculiar de ver o mundo, olham de forma diferente para objetos e pessoas, perdem a aprendizagem de importantes conceitos sociais, coisas que a criança típica usa para construir seu conhecimento de mundo e mais tarde se torna habilidade, a criança com autismo deixa passar, justamente o "transtorno do desenvolvimento"!!! Dentre outras questões que surgem daí esta a dificuldade de interagir, a dificuldade de comunicação e junto a isso um déficit no desenvolvimento da linguagem - mesmo quando a fala está presente o uso adequado da linguagem para estabelecer um canal competente de comunicação é falho - e também tem um comportamento muitas vezes que privilegia a repetição e a rotina, os movimentos previsíveis (as mudanças não são o seu forte) e tudo isso afeta diretamente a aprendizagem acadêmica que para eles (e para muitas crianças típicas também) é tão abstrata e descolada da realidade prática.
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 19:42:34

      Pude verificar a questão da rotina na prática diária, o quanto desestabiliza a criança quando a rotina é alterada. Coisas pequenas para ela se tornam gigantes. Desde o horário de ir à escola, ao médico, da alimentação... qualquer troca na rotina a deixa muito agitada, com dificuldade de interagir.
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:41:07

    Se a gente estuda sobre os déficits do desenvolvimento infantil, fica mais fácil entender o por que das dificuldades no autismo. O que uma criança típica aprende e desenvolve naturalmente a criança com Autismo precisa ser orientada com persistência para fazer. Por isso é preciso pensar em desenvolver tudo o que está imaturo. Primeiro então seria ótimo conseguir identificar que imaturidade é essa, pois para umas coisas eles se saem bem, não apresentam dificuldades e às vezes são melhores que os colegas, mas já para outras áreas a dificuldade é enorme... por isso uma avaliação seria perfeito, mesmo se for feita por um professor. É preciso identificar o que está imaturo, trabalhar de forma a preencher estas lacunas deste desenvolvimento falho. Precisamos trabalhar muito com seleção, classificação, consciência corporal, orientação espacial, coordenação viso-motora, ordenação temporal. Tudo de forma adequada aquele sujeito. Geralmente as técnicas comportamentais dão muito resultado. Estruturar o que será ensinado com uma rotina visual, elogiando muito os acertos, ignorando os comportamentos inadequados, redirecionando e modelando com o comportamento que esperamos, vai criar uma experiência de sucesso e vai trazer um envolvimento cada vez maior. É preciso fazer valer todas as possibilidades de contato e isso acontece mais quando usamos o universo de interesses da criança.
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 19:46:31

      Recentemente participei de uma palestra que falava da questão do visual, e uma ideia que foi dada naquele momento para auxiliar na organização da rotina foi de um varal com imagens identificando cada momento do dia para a criança com autismo. Um varal que lhe ajuda a identificar o momento do dia em que está e o que terá no decorrer do mesmo. É algo que funciona e de fácil confecção. Uma dica para quem busca ideias novas :)
  • Foto de Noelle Atkienson Ornelas
    Noelle Atkienson Ornelas

    em 16 de maio de 2018 às 19:45:35

    Boa noite Fausta, sou aluna do curso de Design de produto do Ifsc, e atualmente estamos fazendo um trabalho onde cada grupo deveria escolher um tema dentro do Respeito à diversidade. Meu grupo escolheu abordar o autismo, como existem poucos produtos voltados para o autista e pouco material voltado a inclusão e respeito destes na sociedade queremos trabalhar para que consigamos criar algo que torne estas relações mais humanas. Enfim, estou aqui hoje para conhecer um pouco mais as dificuldades que um autista enfrenta no dia a dia, para termos uma base maior para a criação do produto voltado para realmente para suas carências.
    • Fausta Cristina de Pádua Reis
      Fausta Cristina de Pádua Reis

      em 16 de maio de 2018 às 19:49:50

      Olá Noelle Minha filha mais velha também faz design :] Adoro o seu curso! Então... as dificuldades são bem variadas. As mais significativas tem como tronco a comunicação ou os estímulos sensoriais.
    • Fausta Cristina de Pádua Reis
      Fausta Cristina de Pádua Reis

      em 16 de maio de 2018 às 19:52:58

      Para falar de Processamento Sensorial levaria muito tempo, porém tudo o que ajuda a regular este sistema que se sobrecarrega com muita facilidade no autista, vai ajudar. Assista ao programa do Bial que recentemente falou sobre autismo e veja a Amanda Pascoal explicar como ela se sente. Veja que ela usa um fidget spinner (não sei como vocês chama aí no Brasil) para se regular durante o programa. Este é um exemplo de produto que poderia ajudar muito.
    • Fausta Cristina de Pádua Reis
      Fausta Cristina de Pádua Reis

      em 16 de maio de 2018 às 19:55:05

      Para falar de comunicação, qualquer coisa que estruture a rotina, que dê pistas visuais para o autista ou que traga a facilidade do símbolo para a vida do autista vai ajudar. Leia sobre pranchas de comunicação por exemplo ou ferramentas de estruturação de rotina.
    • Noelle Atkienson Ornelas
      Noelle Atkienson Ornelas

      em 16 de maio de 2018 às 20:00:53

      Ah, com certeza estarei assistindo!! O mercado conta com poucos produtos mas o que tem vi que são muito interessantes!! Muito obrigada pelas dicas, de coração! Vou continuar acompanhando o debate, caso surj alguma dúvida mandarei aqui novamente!
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:47:06

    Temple Grandin a célebre Autista americana que é PhD em ciência animal e que escreveu vários livros sobre autismo, nos conta que é uma pensadora visual e que pensa através de imagens. Conta que a generalização de conceitos é um problema para ela, pois algumas aprendizagens que são descoladas do seu dia a dia não parecem fazer sentido e por isto não são incorporadas. Ela traz um exemplo em um dos seus livros sobre a dificuldade por exemplo, de conceituar cachorro devido à grande variedade de raças que existe, para ela não tinha sentido colocar um buldogue e um pincher em um mesmo grupo. Ela precisou aprender a pensar no focinho do cachorro ( o ponto que eles tem de igual ) para conseguir aprender este conceito. Imagina, se alguém como ela, passou por situações assim, como fica o autista não verbal com maior comprometimento na aprendizagem? Quanto mais visual pudermos direcionar as estratégias de ensino mais certo será a compreensão. Parece difícil mas é preciso sobretudo estabelecer metas, eleger estratégias e acreditar que eles podem, do jeito deles aprender qualquer coisa.
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 19:57:43

      Perfeita essa sua fala "acreditar que eles podem, do jeito deles". É bem assim. Precisamos estar abertos as experiências que vivenciamos com essas crianças, e valorizar suas aprendizagens. Essa forma de pensar deveria ser para todas as crianças, de acreditar que eles podem sim aprender, respeitando seus limites e possibilidades. Para uma criança autista esse fato é fundamental, precisamos acreditar nela e em seu potencial para lhes ajudar no processo. Precisamos acreditar nelas e demonstrar isso em atos práticos!
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 19:58:24

    Luana sim, a estrutura da rotina faz muita diferença. Falo muito sobre isso nos meus posts, como a Milena precisa saber o que vai acontecer. Não se trata de repetir sempre as mesmas coisas, nem fazer tudo igual todo dia. Trata-se de dar PREVISIBILIDADE, só isso. Se for mudar a rotina a criança tem que ser avisada com antecedência para que ela se prepare, se regule. Apenas avise, com desenhos, com fotos, com apoio visual.
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 20:03:37

    Luana é muito verdade isso!!! Parece simples, óbvio mas eu mesma, depois de vir pra Londres, me vi não acreditando nos objetivos ousados que a escola estabeleceu para minha filha... depois de anos tentando ensinar algumas habilidades de independência por exemplo eu já tinha quase desistido. Pois ela aprendeu coisas em um dia que eu e os terapeutas levamos anos ensinando. Em um dia!!! Ela tem conquistado tantas coisas sendo que ouvi até do médica que a acompanhava que ela tinha atingido uma platô e que não iria adquirir novas habilidades facilmente... Acreditar nesse potencial e entender que talvez as coisas não aconteçam no padrão que esperamos, mas acontecem sim.
    • Luana Jenifer Dias de Oliveira
      Luana Jenifer Dias de Oliveira

      em 16 de maio de 2018 às 20:10:26

      Essa possibilidade e a esperança nela é que motiva diariamente a buscar novas ideias para meu trabalho em sala de aula. Sempre que está ao meu alcance tento interagir com pessoas que vivenciam a inclusão em seu cotidiano. Pois sempre temos o que aprender! Obrigada Fausta por estar trazendo suas experiências! Vi que você escreveu sobre as pranchas de comunicação, não conhecia ainda, e acho que é uma ferramenta que será muito útil para mim! Obrigada pela dica!
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 20:09:11

    Noelle boa sorte com o produto. Vou ficar torcendo muito. Aqui em Londres tem uma feira de autismo anual. Tem vários estandes e muitos produtos a grande maioria para estimulação motora, sensorial ou apoio pedagógico. Acho que o Brasil precisa muito ampliar seu campo de atuação neste sentido. O campo é imenso e a carência também. Se quiser entrar em contato comigo pelo blog eu te envio alguns nomes de marcas para sua pesquisa.
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de maio de 2018 às 20:13:26

    Pessoal, vamos encerrar o debate pois já é meia noite em Londres. Obrigado todos que dedicaram um tempo para estarem presentes neste debate online. Obrigado Fausta por toda atenção e pelo conhecimento compartilhado. É sempre bom conversar contigo! Boa noite a todos e até o próximo debate. Abraços,
  • Foto de Fausta Cristina de Pádua Reis
    Fausta Cristina de Pádua Reis

    em 16 de maio de 2018 às 20:14:50

    Pessoal fico por aqui. Agradeço imensamente a oportunidade, o espaço e a troca. Sigo desejando que o autismo seja mais visto, mais lido, mais compreendido como diferença humana que merece e precisa ser respeitada. Acredito que uma sociedade só se tornará melhor e mais pacífica quando aprender a respeitar de verdade toda e qualquer diferença. Que a gente siga tentando. Ao abrir o nosso coração e o atendimento para o autismo a gente passa a entender vários aspectos das pessoas que chamamos normais (?!). A pessoa com autismo é acima de tudo gente e tem uma plenitude de capacidades que precisam ser vistas para além da aparência. Que a gente consiga ver e que a nossa visão ajude a abrir algumas portas e construir algumas pontes. Uma boa noite a todos.
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