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Autoestima, autonomia e protagonismo

Por Diversidade na Rua, em 13 de março de 2018
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 13 de março de 2018 às 13:25:06

    Antonio Luiz Pereira nasceu em um berço de amor e superproteção. Até o fim do ensino fundamental, nunca precisou lidar com conflitos, pois a família cuidava de tudo para ele. Quando percebeu que precisaria lidar com o bullying e os relacionamentos amorosos, despertou para algo que até então não fazia parte de sua vida: a busca por autonomia.

    O jovem profissional, que já compartilhou um pouco de sua história com a rede do Diversidade na Rua, foi convidado a ser o próximo mediador do Debate Aberto do projeto da Mercur, que acontece no dia 19 de março, a partir das 16h. O objetivo é falar e compartilhar experiências sobre autoestima, autonomia e protagonismo na vida da pessoa com deficiência.
    Participe!

  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 19 de março de 2018 às 16:00:52

    Olá, boa tarde. Bem-vindos a mais debate aberto aberto online. O Antônio já está disponível para o bate-papo. Fiquem à vontade para conversarem, expressarem suas opiniões e experiências acerca do tema. Qualquer dúvida por favor nos contatem. Um ótimo debate aberto a todos. Abraços
  • Foto de Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
    Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

    em 19 de março de 2018 às 16:07:36

    Boa tarde, pessoal! É uma enorme satisfação poder compartilhar experiências de vida com vocês!
  • Foto de Rafaela Piccinin
    Rafaela Piccinin

    em 19 de março de 2018 às 16:14:03

    Olá, Antonio. Tudo bem? Gostaria de saber como foi a sua busca por autonomia, tendo em vista que sua família cuidava de tudo para você. Como foi essa conversa com eles sobre essa situação toda?
    • Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
      Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

      em 19 de março de 2018 às 16:22:21

      Oi, Rafaela! A transformação acontece com sobressaltos. Não existiu uma conversa, mas várias situações suaves, outras ásperas, que contribuíram de alguma forma para o que eu sou. Sinto que muitas vezes interpretaram as minhas ações como ingratidão ao quebrar com esse automatismo da superproteção. Se eu tivesse conhecido métodos como a comunicação não violenta desde crianla, certamente tudo teria sido bem mais suave e teria evitado alguns desentendimentos.
    • Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
      Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

      em 19 de março de 2018 às 16:30:53

      Interessante, também, é o fato de que há bastante diferença entre autonomia e independência. Sempre fui independente com relação aos atos do dia a dia. Comecei a dirigir e eu mesmo colocava e tirava a cadeira de rodas de dentro do carro. Isso era o auge da minha independência, mas não era ainda a minha autonomia psicológica. Necessitava ser validado, me colocava na condição de vítima e tinha muita autopiedade. Tive sorte de achar pessoas que arriscaram a amizade pra me dizer que nada daquilo era necessário e que eu deveria parar de falar sim para tudo. Sabendo que eu fui programado com crenças advindas de várias fontes, resolvi, então, caminhar no sentido da reprogramação, buscando muita informação na área da filosofia oriental, programação neurolinguística e comunicação.
    • Lina Levien
      Lina Levien

      em 19 de março de 2018 às 16:38:05

      Bem interessante esse ponto. Acredito que o passo mais importante para a busca dessa autonomia é como enxergamos nós mesmos. Eu não tinha autopiedade mas sim autopreconceito. Mas o meu processo foi de reprogramação também.
    • Rafaela Piccinin
      Rafaela Piccinin

      em 19 de março de 2018 às 16:38:29

      Que interessante, Antonio. Me chamou atenção que você mencionou a Comunicação Não Violenta, pois fiz este curso há pouco tempo e achei muito rico, principalmente em suas formas de lidar e gerar reflexões. Que legal, gostei muito do teu relato. Acredito que para essa "reprogramação" as pessoas devem estar sempre abertas ao novo e ao melhor. Obrigada pela resposta!
  • Foto de Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
    Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

    em 19 de março de 2018 às 16:16:07

    Como eu relatei, a construção da autoestima, no meu caso, passou por processos de frustração, rebeldia, instrospecção e aceitação da minha condição, para, a partir desde ponto, poder honrar os meus gostos e modo de vida. Gostaria de saber o que pensam sobre a possibilidade de se construir uma personalidade. É possível estabelecer uma nova mentalidade voluntariamente?
    • Rafaela Piccinin
      Rafaela Piccinin

      em 19 de março de 2018 às 16:44:01

      Gostei bastante da tua pergunta também, Antonio. Embora eu não tenha deficiência, passei por uma dificuldade de criar e expressar uma personalidade desde criança. Tenho uma irmã gêmea e a personalidade dela é bem forte. Até metade da adolescência eu seguia os passos dela assim como sua personalidade. Quando me dei conta disso, precisei me "redescobrir" como uma pessoa individual e única. Por isso acredito sim que é possível estabelecer uma nova mentalidade voluntariamente e "re"construir uma personalidade. :)
    • Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
      Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

      em 19 de março de 2018 às 16:56:12

      Rafaela, deve haver muita expectativa quando se tem uma irmã gêmea. Sempre ser de igual pra melhor do que a outra deve gerar muita ansiedade, a ponto de entrarmos em uma corrida por validação e esquecermos de cuidar de quem somos e do que é mesmo importante pra nós.
    • Rafaela Piccinin
      Rafaela Piccinin

      em 19 de março de 2018 às 17:00:16

      "a ponto de entrarmos em uma corrida por validação e esquecermos de cuidar de quem somos e do que é mesmo importante pra nós." Você descreveu exatamente como é!
  • Foto de Lina Levien
    Lina Levien

    em 19 de março de 2018 às 16:27:43

    Olá, Antonio! Eu sou cadeirante e adorei essa tua pergunta. No meu caso, eu tive uma ajuda imensa do meu marido, na época namorado. Eu estava bem perdida e embora eu saiba que os meus pais só queriam o meu melhor, era muito difícil manifestar as minhas vontades próprias. Mas eu consegui as poucos me sentir mais segura de mim mesma e mostrar que a minha deficiênca é física mas não mental. Então eu acredito sim que é possível estabelecer uma nova mentalidade voluntariamente, :) Como foi com você?
    • Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
      Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

      em 19 de março de 2018 às 16:39:29

      Oi, Lina! Ainda bem que temos esses anjos que estão dispostos a arriscar uns dias de cara amarrada. Eu confrontei os amigos que me disseram que eu poderia sair daquele poço de necessidade por validação que eu me encontrava. Pra mim a dependência era a condição que eu teria que viver a vida inteira. Cheguei ao ponto do "pior não fica". Na faculdade eu percebi que os meus contatos eram, na maioria, superficiais, os meus amores platônicos e a minha ansiedade um impedimento para ouvir as pessoas e descobrir o que elas eram de verdade. Neste momento decidi tentar diferente, já que tentar as mesmas coisas geram os mesmos resultados. Então procurei obras como Assim falou zaratustra, Tao te ching, livros de PNL e persuasão. Passei para uma fase de tentativa e erro para afinar aquilo que eu gostaria de expressar socialmente e acabei saindo do ponto no qual me encontrava de completa descrença e autopiedade.
    • Lina Levien
      Lina Levien

      em 19 de março de 2018 às 16:48:07

      Eu escrevi uma vez em um artigo, que para fazer algo que eu nunca tinha feito antes eu precisei me tornar uma pessoa que eu nunca tinha sido antes. Essa ideia vai bem de encontro com o que tu mencionou em tentar coisas novas para gerar resultados diferentes. Muito obrigada pela resposta :)
  • Foto de Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
    Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

    em 19 de março de 2018 às 16:46:29

    Percebo que a falta de representatividade no dia a dia, o fato de haver um mundo dos andantes e um mundo das pessoas com mobilidade reduzida, gera muita objetificação e contribui para a perpetuação do estigma. Como vocês intepretam esse contato entre andantes e pessoas com mobilidade reduzida? Existe um certo grau de tensão? Percebem interditos durante a interação?
    • Lina Levien
      Lina Levien

      em 19 de março de 2018 às 16:56:04

      No meu caso é engraçado, na verdade. Para algumas pessoas possa soar tenso mas eu tendo a não me levar muito a sério. Quando eu saio com o meu marido, quase ninguém acha que ele é meu marido mas sim meu pai! Hahaha! Mas é que realmente, preciso confessar que sou pequenininha e tenho uma carinha de criança. E ele em contraponto, aparenta ser mais velho... No entanto eu sei que o meu caso é meio que peculiar hihi
  • Foto de Lina Levien
    Lina Levien

    em 19 de março de 2018 às 17:03:28

    Antonio, Rafaela e equipe do Diversidade na Rua, preciso me despedir de vocês. Eu adorei o debate! Você eecreve muito lindamente, Antonio! Muito obrigada por responder as minhas perguntas. Um ótimo final de tarde para vocês! :)
  • Foto de Antonio Luiz Martins de oliveira pereira
    Antonio Luiz Martins de oliveira pereira

    em 19 de março de 2018 às 17:03:33

    Certamente, a gente precisa de muito quebra gelo pra diminuir a expectativa do primeiro contato e entregar humanidade. O pessoal do curso de teatro que eu fiz relata esse espanto ao me encontrar no teatro no primeiro dia, então me descobrir ao longo do tempo como uma pessoa que ri, chora e é dotada de todas as qualidades e defeitos de qualquer um por aí.
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 19 de março de 2018 às 17:24:14

    Obrigado a todos pela participação do debate! Antonio, muito obrigado por ter aceitado dividir conosco a tua experiência e as tuas percepções sobre o assunto. Uma ótima semana. Abraços Equipe Diversidade na Rua
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