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Design, ergonomia e acessibilidade será tema de debate online

Por Diversidade na Rua, em 14 de agosto de 2017
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 14 de agosto de 2017 às 08:53:43

    Por ter as pessoas como ponto focal para todo e qualquer tipo de projeto, o Design destina-se, em sua essência, a sanar as pequenas e grandes necessidades existentes no mundo. Seu objetivo maior reside em pensar e criar elementos que possam servir de contribuição para o bem-estar físico e o equilíbrio emocional de todas as pessoas.

    Então o design pode ser a chave para um mundo mais acessível? Esta é a pergunta que pautará o próximo debate aberto do projeto Diversidade na Rua (http://www.diversidadenarua.cc/), da Mercur, que acontece no dia 16 de agosto, a partir das 19h. A conversa será mediada pelas designers Carolina Fillmann e Tainá Bueno.

  • Foto de Ivani Cristina Voos
    Ivani Cristina Voos

    em 16 de agosto de 2017 às 18:57:23

    Olá boa noite. Gostaria de assistir a debate, porém não estou encontrando a transmissão. Poderiam me auxiliar? Obrigada
    • Diversidade na Rua
      Diversidade na Rua

      em 16 de agosto de 2017 às 19:00:22

      Olá, Ivani! Tudo bem? O debate acontece neste espaço, por escrito. Já começou! :) Fique à vontade para conversar.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:05:56

      Olá, Ivani! Estamos aqui para responder perguntas sobre o assunto, fique a vontade em nos perguntar.
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de agosto de 2017 às 19:00:25

    Boa noite! Tudo bem com vocês? Bem-vindos a mais um debate aberto. A Carolina Fillmann e a Tainá Bueno já estão disponíveis para bater um papo sobre "Design, ergonomia e acessibilidade". Fiquem à vontade para participar! Qualquer dúvida ou problema no debate, nos sinalizem. Um ótimo debate a todos. Diversidade na Rua - Mercur
  • Foto de Carolina Fillmann
    Carolina Fillmann

    em 16 de agosto de 2017 às 19:03:26

    Boa noite! Será um prazer debater com vocês essa temática tão importante e atual. Eu sou a Carolina Fillmann, graduada em jornalismo, com Mestrado em Design e Doutoranda em Design. E justamente o tema da minha pesquisa de doutorado é acessibilidade e design.
  • Foto de Tainá A. Bueno de Oliveira
    Tainá A. Bueno de Oliveira

    em 16 de agosto de 2017 às 19:04:57

    Olá, boa noite! Eu sou Tainá, sou mestranda em Design pela Universidade Estadual do Estado de Santa Catarina/UDESC e estou aqui para conversarmos sobre o papel do designer em uma sociedade mais acessível. Se quiserem fazer perguntas específicas, estou aqui!
  • Foto de Anderson Mendes Gama
    Anderson Mendes Gama

    em 16 de agosto de 2017 às 19:06:35

    Boa noite, Eu tenho algumas dúvidas sobre hierarquia da comunicação em material impresso, para que ela seja mais acessível a todos. Hoje eu utilizo bastante o Padrão digital quando faço algo exemplo: (h1) Título (img) centralizada (p)Texto (h3) Sub-titulo (img) (P )txto e assim por diante. Existe alguma forma melhor de fazer esta hierarquia, ou um manual por exemplo ?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:10:02

      Oi Anderson, tudo bem? Eu justamente estudo padrões gráficos para o livro tátil infantil. Não existe um padrão a ser seguido. O que você precisa é trabalhar com muito contraste, para que cada elemento visual carregue a sua evidência e sua diferença. Se é material destinado a baixa visão, é preciso deixar respiros de pelo menos 6mm entre os elementos. Ainda, precisas trabalhar com fontes de hastes grossas e maiores que o padrão de leitura.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:14:14

      Complementando a Carolina, o interessante é entender que quando se fala de baixa-visão, cada um tem uma necessidade específica e o que pode servir para um pode não servir para o outro. Existem NBRs que falam sobre o contraste de uma forma geral, mas o melhor seria ter a possibilidade do próprio usuário poder escolher o tipo de contraste, o tipo de fonte e de espaçamento que facilite o seu uso.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 19:15:02

      Legal Carolina, essa questão do espaçamento era algo que eu sempre ficava com dúvidas. Outra grande dúvida que tenho é o quão divulgado é o padrão iconográfico das cores, pois estava pensando em começar a utiliza-los em algumas publicações que realizamos.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 19:16:53

      Então Taina, no nosso site, nós estamos tentando fazer isso, mas no material impresso existe uma dificuldade maior, por isso que fico com estes receios. E sim pra me apresentar eu sou da Comunicação da Obra Social Dona Meca, uma ONG fluminense que atende mais de 250 Crianças e adolescentes com deficiência e hoje é referencia nesse atendimento aqui no rio.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:43:37

      Anderson, sobre o padrão iconográfico falas do Código Felipa? Ele ainda não é amplamente reconhecido e utilizado. Até porque é bastante recente. Ainda não dá para ser empregado de modo amplo. Mas é uma iniciativa.
    • Fernanda Dreier
      Fernanda Dreier

      em 16 de agosto de 2017 às 19:43:42

      Oi, Anderson! Também trabalho com comunicação e tenho bastante interesse no assunto. Fui pesquisar rapidamente o trabalho da Obra Social Dona Meca e achei muito interessante. Vou acompanhar nas redes. Parabéns.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 19:55:20

      Não sei se esse é o nome carolina, havia visto uma vez em um forum e salvei isso pra estudar com mais calma, o padrão iconográfico em questão é esse aqui: https://designinnova.blogspot.com.br/2010/08/cores-para-os-daltonicos.html
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:56:21

      Existem outros códigos de cores além do Feelipa, o ColorADD é um outro. Mas existem várias patentes de códigos de cores também, mas nenhum é usado ou "conhecido" por muitos. Acho que falta uma definição de forma governamental em "adotar" algum código desses como auxílio ao braille e disponibilizar para as associaçòes e fundações que fazem o acompanhamento dessas pessoas.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 19:56:30

      Obrigado Fernanda. Fico muito feliz em ver que o trabalho ta legal, a gente vem buscando reposicionar e repensar tudo, principalmente devido ao nosso público direto né.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:58:39

      Anderson, também vou tentar conhecer um pouco mais do teu trabalho, principalmente porque a área editorial me encanta muito. Fico muito feliz que estejas participando do debate. E, com tua vontade, penso que poderás, ao longo de tuas criações, trazer boas contribuições para esses itens que estamos debatendo aqui.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 20:05:20

      Entendi Thainá, muito obrigado.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:07:39

      Também vou acompanhar a ONG! Achei sensacional! Aqui em Santa Catarina existe a Fundação Catarinense de Educação Especial que faz um trabalho semelhante ao de vocês.
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 20:08:09

      A Que legal Carolina, na verdade eu tenho buscado muitos foruns de debates sobre estes temas, acho fundamental, não só pela minha posição na OSDM, mas para caminharmos para um mundo mais igual. Na verdade eu estava querendo fazer um encontro no Rio sobre Design Universal nos mecanismos de comunicação das instituições do tereceiro setor que trabalham com isso, caso interesse vocês também a gente tenta fazer uma vídeo conferencia. enfim...
    • Anderson Mendes Gama
      Anderson Mendes Gama

      em 16 de agosto de 2017 às 20:08:40

      Vou dar uma olhada Thainá e obrigado ;D
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 20:10:20

      Anderson! Muito legal a sua ideia. Quem sabe a gente estende esse debate aqui e leva nossas contribuições até o seu evento. Trocar ideias nos faz poder perceber diferentes pontos de análise e permite que todos cresçamos juntos. São assuntos muito pertinentes neste tempo que vivemos. Contem comigo!
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:28:19

      Pode contar comigo também! Essas trocas só agregam!
  • Foto de Ivani Cristina Voos
    Ivani Cristina Voos

    em 16 de agosto de 2017 às 19:10:36

    Legal conhecer vcs Tainá e Carolina. Eu sou prof do IFSC e atuo em pesquisas na área há alguns anos. Sou ed especial e tenho atuado nessas questões de acessibilidade e Tecnologia Assistiva. Também faço doutorado na UFSC e no instituto temos um grupo de pesquisa fazendo um trabalho bem legal pensando em todas essas questões. É perceptível como ainda precisamos modificar nossa sociedade na busca de lugares onde todas as pessoas tem acesso com autonomia e independência e isso parece muito longe. Como minhas pesquisas envolvem pessoas cegas, sempre acabo reparando e uma das coisas que me chama a atenção é a ausência de acessibilidade para esse público. Como vcs veem isso?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:15:07

      Ivani, também pesquiso as pessoas cegas. Minha pesquisa é destinada as crianças. E, concordo contigo: temos muito a evoluir e a desenvolver sobre acessibilidade. Temos questões básicas essenciais que faltam ao público cego ou de baixa visão, como o piso tátil, por exemplo. Ou, muitas vezes, colocados em calçadas, mas mal empregados, com postes ou até lixeiras no meio do caminho. Vejo cada movimento mais amplo ainda como uma resposta, e não como iniciativa. E por isso que estamos (em termos públicos) tão onerosos com relação a oferecer um melhor espaço de convívio e vivência para os deficientes visuais.
    • Diversidade na Rua
      Diversidade na Rua

      em 16 de agosto de 2017 às 19:16:58

      Carolina, você pode nos contar um pouco sobre sua pesquisa com crianças?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:17:17

      Penso também que mal saímos da cultura do "coitadismo" com relação a essas pessoas. Precisamos trabalhar uma mudança cultural, de mentalidade coletiva, que encare o deficiente visual como uma pessoa plenamente capaz, que faz tudo, apenas não enxerga. Se todos tivessem a oportunidade de conviver com cegos e observar o quanto são hábeis em tantas coisas, entenderiam que fornecer acessibilidade a eles facilitaria a vida de todos nós.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:20:49

      Olá, Ivani! É um prazer também! Minha pesquisa também com cegos em relação a usabilidade de eletrodomésticos. O que eu vejo pesquisando sobre o meu objeto de estudo é que realmente que o mercado deixa a desejar para esse público. Por ser um público "relativamente" baixo a viabilização comercial de produtos que tenham a possibilidade de uso por pessoas cegas, boa parte envolve mais tecnologia, como sistemas de audio. E com o advento das telas flats eu acredito que alguns produtos que são mais "básicos" perderam a possibilidade do uso com os botões, como aquelas maquinas de cartão de crédito sem botões.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:20:55

      A minha pesquisa busca trabalhar com os materiais de impressão gráfica (papeis e acabamentos) de modo a fornecer texturas capazes de facilitar a leitura de ilustrações nos livros tateis infantis. Os desenho são trabalhados a partir de modelos de duas pesquisadoras - uma brasileira e uma chilena - que simplificam e geometrizam as formas, de modo a tornarem tudo melhor compreendido. Muitas ilustrações nos livros táteis de hoje não fazem sentido para as crianças. E minhas pesquisa vai justamente no encontro de sanar essa dificuldade.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:22:35

      Tainá, você que trabalha com os eletrodomésticos. Sempre penso: porque não existe o braille nesses eletros? Facilitaria a vida de tantos! Num microondas, por exemplo, todo o painel poderia vir de fábrica já com a identificação dos botões em relevo!
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:29:58

      Sim, Carolina! É algo simples, né? Por que não tem? Então, essa foi a minha motivação, e até estudar soluções de baixo custo que pudessem ser acrescentadas, como um kit. Quanto ao braille, em contato com a associação de cegos aqui de florianópolis, a ACIC, eles me falaram que muitos que tem a cegueira adquirida, depois de mais velhos acabam não se alfabetizando em Braille. Acho que algo como um código universal, igual existe para tocadores de música em geral (play, pause...) pudesse melhorar o uso desses produtos e não seria necessário o aprendizado do braille. Mas respondendo tua pergunta, acaba influenciando na estética do produto e as grandes empresas não investem nesse tipo de adaptação por ser um público baixo.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:56:59

      Tainá, mas nem tudo, de início, contribui para uma estética "linda", digamos assim. Mas acredito que se aplicados, se necessário, é possível desenvolver melhor os produtos para que fiquem acessíveis. Na minha casa os eletrodomésticos todos tocam musiquinha pra dizer que começaram, que terminaram. Poderia ter a opção de eles falarem, facilitando a vida dos deficientes visuais. Penso que, falando em percentuais, o número ainda seja baixo diante de todo um restante da população, acaba não ficando atrativo (lê-se lucrativo) para as marcas de eletros.
  • Foto de Fernanda Dreier
    Fernanda Dreier

    em 16 de agosto de 2017 às 19:10:57

    Boa noite! Eu gostaria de saber qual é o papel da ergonomia para a viabilização da acessibilidade?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:26:51

      Fernanda, parto de um exemplo. Acima falávamos das dificuldades em acessibilidade para os deficientes visuais. Aqui na minha cidade temos uma calçada com piso tátil e no meio dela uma sinal (semáforo) com sinal sonoro. Contudo, o piso tátil acaba em um poste e o semáforo é tão rápido, que mal dá tempo de uma pessoa com visão cruzar a avenida. Ou seja, os instrumentos estão lá, mas não estão sendo devidamente úteis. A ergonomia não dá conta apenas de uma cadeira de rodas, por exemplo, ser confortável e do meu tamanho. Ela precisa ser adequada para o piso onde ando, para a força dos meus braços, do tamanho dos espaços onde cruzo. Se tem um piso tátil para indicar uma caminho, ele deve levar a rotas certas e seguras. Isso é ergonomia. Seria, assim, dar viabilidade aos instrumentos e ferramentas destinados a acessibilidade.
    • Fernanda Dreier
      Fernanda Dreier

      em 16 de agosto de 2017 às 19:31:00

      Excelente exemplo, Carolina. Muito obrigada. Muito interessante poder aprender mais sobre este assunto com você, a Tainá e também a Ivani. Vocês poderiam deixar aqui algumas sugestões de leitura/conteúdos para quem quer aprender mais sobre o assunto?
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:34:41

      No Brasil não existe um esforço do poder público no investimento de cidades mais acessíveis. O Design Universal entra bem nessas questões de mobilidade urbana onde você possibilita o uso por uma pessoa cadeirante, cega ou uma pessoa sem deficiência o mesmo espaço para se locomover de forma eficiente. Temos bastante Leis e NBRs que pensam no espaço público para pessoas que possuem algum tipo de dificuldade, o grande problema é o cumprimento delas.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:46:43

      O material disponibilizado pelo governo é muito interessante, inclusive as políticas que já foram adotadas nos últimos anos como o "programa viver sem limites", também tem o estatudo da pessoa com deficiência. Tem também um material de Tecnologia Assistiva da Rita Bersch que é uma pesquisadora de Porto Alegre.
  • Foto de Francine Dias Pereira
    Francine Dias Pereira

    em 16 de agosto de 2017 às 19:24:11

    Boa noite! Fui aluna da Carolina na ESPM, é um prazer participar desse debate. Agora recém formada estou revendo as possibilidades que o design pode nos dar no mercado, e justamente o tema desse debate me chama muita atenção. Muitas perguntas surgem quando falamos de acessibilidade urbana. Muitas vezes me deparo com dificuldades para me locomover, seja com um automóvel ou como pedestre. Imagino como deve ser difícil para quem têm dificuldades físicas. É no mínimo constrangedor pensar nisso, mas gostaria de saber por que é tão difícil para os órgãos públicos implementarem ideias de ergonomia nas ruas? E quais empresas trabalham com ergonomia e acessibilidade utilizando Design em Porto Alegre/no Brasil?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:30:46

      Fran, querida, tudo bem? A dificuldade ainda é cultural. Surgem decretos, normas, leis, mas a cabeça das pessoas ainda não mudou. Acessibilidade não é pensada por todos, desde sempre. Nós temos leis que garantem integração das crianças com deficiência nas escolas. Ótimo, todas as crianças têm direito a estudar, socializar, aprender. As crianças de hoje integram os amiguinhos, mas muitos professores não estão preparados para lidar com as deficiências ou simplesmente não querem esses alunos em suas classes. De que adianta uma regra/norma se as pessoas não mudam suas atitudes?
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:32:28

      Por isso é tão importante trabalho como os nossos, de pesquisa, de educação para os demais, de conscientização, para tentar ir mudando, aos poucos, a nossa cultura. É vergonhoso como lidam com as pessoas deficientes na nossa cidade. Mas já foi pior. Esse tema tem ganhado espaço e, à medida que vamos evoluindo, vamos mudando essa cultura.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:33:41

      Acredito que empresas de designer conscientes em nossa cidade já pensem em acessibilidade e ergonomia desde o início. Mas desconheço uma específica disso.
    • Francine Dias Pereira
      Francine Dias Pereira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:39:51

      Oi, Carol! Tudo sim, estamos na luta agora né, tô aproveitando esse momento agora. E tu como está? É, realmente, o problema está na forma como os outros vêem as coisas, mas é muito importante essa parte de locomoção das pessoas. Assim como o exemplo da cadeira de rodas ou da pessoa com deficiência visual, é horrível. Nem mesmo nós conseguimos lidar com a má conservação desses equipamentos, imagina eles. Mas no que me preocupo é quando isso passará a ser bem executado?
    • Francine Dias Pereira
      Francine Dias Pereira

      em 16 de agosto de 2017 às 19:43:55

      Pois é, também não conheço nenhuma que trabalhe especificamente com acessibilidade urbana. Isso deveria ser mais explorado e tem muito a ver com a empatia, o se importar com o outro. Em meu TCC trabalhei com Design Thinking e agora falando sobre esse assunto, percebo que tem muita relação com a ergonomia, pois seria um tipo de processo bastante efetivo nesse aspecto.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:47:52

      Francine, essa pergunta me atormenta também. Quando as coisas passarão a ser bem executadas? Quando farão apartamentos capazes de aceitar moradores com cadeiras de rodas? Tudo é muito difícil. Por muito tempo os deficientes foram excluídos. Mas entenda, são pessoas "com" deficiência. Nós, eu tu, podemos nos tornar uma pessoa com deficiência a qualquer momento. Todos estamos sujeitos a um acidente, a uma perna quebrada. Ou seja, a ergonomia, a acessibilidade, o design é universal, são universais, não apenas para poucos, não apenas para aqueles que são considerados pessoas "com" deficiência. Todos nós seremos idosos um dia e precisaremos de apoio, precisaremos de segurança para o deslocamento. Ergonomia e acessibilidade é pensar em todos esse conjunto de vida.
    • Francine Dias Pereira
      Francine Dias Pereira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:00:58

      Exatamente! A qualquer momento nossa vida pode mudar completamente e as dificuldades estarão lá ainda. Será que vou envelhecer e ainda as coisas estarão as mesmas? Pode ser ou não, mas levando em consideração essa parte da ergonomia, é provável que demore muito até as pessoas se conscientizarem. Até porque, vejo muitas falhas em coisas do nosso dia a dia, como embalagens de produtos, que é impressionante como conseguem piorar a experiência do usuário. Isso porque os responsáveis pensam mais no lucro e menos qualidade do que na satisfação do usuário final. Não é feita uma análise, um teste de longevidade do projeto/produto. Não se preocupam com o pós-design.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:01:17

      Respondendo a questão em relação as políticas públicas, no projeto Viver sem limites do governo, já está em vigor as adaptação de casas e apartamentos do Minha Casa, Minha Vida II com kits e unidades que se possa fazer o uso de cadeira de rodas. Mas esse tipo de política deveria ser extendido para apartamentos feito por empresas particulares, ou então a previsão de adaptação da sua unidade sem ser aumentado o valor final do apartamento por isso por isso.
  • Foto de Ivani Cristina Voos
    Ivani Cristina Voos

    em 16 de agosto de 2017 às 19:27:48

    Super legal as colocações de vcs. Adorei. Então, para pensar todas essas questões que a Carolina pontua sobre o coitadismo, tenho buscado estudar, embora não faça parte da minha tese, sobre o Modelo social da deficiência. Relativamente novo aqui no Brasil, mas já tem pesquisadores se disseminando. Acredito muito que se tal modelo passar a vigorar e cada vez mais o modelo médico começar a ser deixado de lado, esses exemplos e problemas que as pessoas cegas experienciam para viver na sociedade se minimizarão.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:37:12

      Ivani, concordo contigo. Penso que esse modelo médico deva passar. Mas conscientizar uma população do tamanho da nossa é muito trabalhoso. E são muitas as mudanças sociais pelas quais estamos passando. Ou seja, é uma mudança cultural muito ampla, muito profunda. Respostas imediatas são impossíveis. Por isso acredito que já evoluímos muito nos últimos anos. Estive estudando um pouco de Universal Design for Learning. Parece coisa do passado, mas são estudos que iniciaram há pouco mais de vinte anos. Muito pouco para a história.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:39:18

      E fiquei muito curiosa com relação a esse Modelo Social da deficiência. Penso muito nesse entendimento de conjunto, de organismo social. Com os problemas que nosso país tem enfrentado nos últimos anos, precisamos compreender que as mudanças precisam de tempo para acontecer e novos modos de pensar se solidificarem.
  • Foto de Ivani Cristina Voos
    Ivani Cristina Voos

    em 16 de agosto de 2017 às 19:37:44

    Carolina esse teu último comentário foi muito interessante. Pois então a questão da acessibilidade em sala de aula. Atitude, parece ser a barreira chave? como combater isso? Sinceramente não sei. Pq ainda se espera que todos os alunos sejam padrões, aprenda juntos e ao mesmo tempo. Então gostaria de questionar se vcs sabem algo, ou tem referências sobre Design Educacional? Na verdade não sei se o termo correto é este.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:51:20

      Ivani, eu trabalho com o termo Design Universal para a Aprendizagem, que vem do inglês Universal Design for learning. É uma extensão do design universal, que se dá de duas maneiras: Primeiro, aplica-se a ideia de flexibilidade incorporada ao currículo escolar; Em segundo lugar, ele dá um passo adiante no design universal, apoiando não só a melhoria do acesso à informação nas salas de aula, mas também o acesso à aprendizagem. Escrevi isso em um artigo: O termo “desenho universal para a aprendizagem” enfatiza o propósito especial de ambientes de aprendizagem, eles não são criados para fornecer informações ou abrigo, mas para apoiar e promover as mudanças de conhecimentos e habilidades, que chamamos de aprendizagem. Enquanto proporcionando espaços e materiais acessíveis é muitas vezes essencial para a aprendizagem, não é suficiente. O sucesso exige que os componentes da pedagogia que envolvem técnicas, métodos e processos, sejam incorporados nas salas de aula e também nos currículos, tornando-os acessíveis. O quadro conceitual do design universal para a aprendizagem é baseado na neurociência da aprendizagem, e seus princípios enfatizam três aspectos fundamentais da pedagogia: os meios de representação da informação, os meios para a expressão do conhecimento e os meios de comprometimento com a aprendizagem.
  • Foto de Ivani Cristina Voos
    Ivani Cristina Voos

    em 16 de agosto de 2017 às 19:48:48

    Pessoal, preciso ir. Adorei o debate, todos os comentários e questionamentos super interessantes. Fico a disposição caso alguém queira trocar experiências conosco. Abraços. Sobre o modelo social, super recomendo a leitura do Livro: O que é deficiência? Débora Diniz. Nesse modelo deixamos de olhar a deficiência a partir dos corpos. Grande abraço
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 19:52:19

      Obrigada! Deixo a dica deste artigo: Rose, Hasselbring, Stahl, & Zabala. Assistive Technology and Universal Design for Learning: Two Sides of the Same Coin. Handbook of Special Education Technology Research and Practice. P. 507-518. 2007.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:03:59

      Obrigada, Ivani! Foi ótimo! Como estamos perto, vou sim trocar uma ideia contigo! Abraço!
  • Foto de Carolina Fillmann
    Carolina Fillmann

    em 16 de agosto de 2017 às 20:00:53

    Designers que estão neste debate: sempre que vocês projetam, vocês pensam em todas as pessoas que podem ter acesso ao trabalho de vocês. As questões de ergonomia e acessibilidade estão presentes, constantemente, na vida de vocês?
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:19:16

      Seria o ideal, mas acredito que não se pense, acredito que muito seja que essas disciplinas como tecnologia assistiva são ofertadas de forma optativa, e vai da empatia do aluno e de sua vontade em participar desse tipo de projeto. Essas disciplinas são essenciais para criar um indivíduo que pense nas questões de acessibilidade no futuro além de deixá-lo em contato com dificuldades enfrentadas por essas pessoas.
  • Foto de Luciana Bortoli Sartori
    Luciana Bortoli Sartori

    em 16 de agosto de 2017 às 20:01:48

    Olá pessoal! :) Está muito legal o debate. É um assunto que me interessa muito. Muito interessante o trabalho que vocês estão realizando Carolina e Tainá. Acredito que ainda há muita dificuldade dos professores/escolas em lidar com os alunos com deficiência, em adaptar as atividades, os materiais/utensílios, .... Como também, as empresas que estão contratando pessoas com deficiência, muitas vezes para cumprir a cota, e a adaptação do posto de trabalho, da tarefa, das ferramentas de trabalho, ... é algo pouco praticado. Vejo o design e a ergonomia muito ligados nesse ponto. Em buscar facilitar a realização da tarefa, seja modificando uma ferramenta, um processo, um espaço, a fim de propiciar a adaptação do trabalho as características psicofisiológicas do trabalhador.
    • Carolina Fillmann
      Carolina Fillmann

      em 16 de agosto de 2017 às 20:06:58

      Luciana, que bom que estás gostando. Muito obrigada por estar aqui conosco. Tu pesquisas ou trabalha na área? eu fiz um trabalho junto a escolas aqui de Porto Alegre sobre a inclusão das crianças com deficiência nas turmas "normais". Sinceramente imaginava que haveria uma discussão em torno de tecnologia assistiva e as ferramentas relacionadas a isso (que ainda carecem de muito avanço). Mas para minha surpresa o pior foi constatar que muitos professores não querem essas crianças em suas classes. Não querem ensinar, preparar aula, ter paciência com essas crianças. Isso vejo como a maior barreira. Não adianta ter acessibilidade se não há a cultura da inclusão.
    • Tainá A. Bueno de Oliveira
      Tainá A. Bueno de Oliveira

      em 16 de agosto de 2017 às 20:15:35

      Acho, como a Carolina disse, é essa mudança social de comportamento. Eu tive oportunidade de dar aula para turmas que tinham pessoas com deficiência, apesar de ser no nível superior, exige uma dedicação maior do professor para passar o conteúdo. Acredito que nossa maior dificuldade seja a preparação desses professores de escola básica no acolhimento de alunos que tem deficiência. Além desse pensamento social, acredito que só educação (no sentido de treinamentos) pode melhorar essa barreira.
    • Luciana Bortoli Sartori
      Luciana Bortoli Sartori

      em 16 de agosto de 2017 às 20:26:02

      Na área da educação tive contato durante o Curso Normal (Magistério), período que estagiei em escolas e vi um pouco desta realidade. E é isso mesmo, não há (ainda) uma cultura de inclusão. Quanto a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, me aprofundei mais sobre esse assunto durante a realização do meu TCC do curso de Fisioterapia, no ano passado. Após pesquisar as legislação existentes, conhecer muitas barreiras enfrentadas, minha pesquisa foi voltada a adaptação do posto de trabalho de pessoas com deficiência física que trabalhavam sentadas e com uso de computador em uma instituição de ensino. Foi muito legal, pois com custo baixo, foi possível melhorar significativamente a postura dos trabalhadores, além de diminuir consideravelmente o risco de lesões/desconfortos. Além disso, para entender um pouco da realidade dessa amostra, também apliquei questionários a fim de verificar como havia sido o processo de inclusão no mercado de trabalho (incentivo da família, dificuldades, facilidades, perspectivas...).
  • Foto de Diversidade na Rua
    Diversidade na Rua

    em 16 de agosto de 2017 às 20:17:42

    Chegamos ao fim deste debate. Lembrando que esta conversa fica aberta e podemos voltar a conversar quando tivermos interesse. Obrigado a todos pela participação, em especial, a Carolina e a Tainá que dividiram com muito carinho suas experiências e entendimentos sobre a temática do design e acessibilidade. Temos um conteúdo muito rico para multiplicarmos e assim mais pessoas terem acesso! Desejamos sucessos nos projetos de vocês. Um abraço e até o próximo debate. Diversidade na Rua - Mercur
  • Foto de Carolina Fillmann
    Carolina Fillmann

    em 16 de agosto de 2017 às 20:20:41

    Agradeço imensamente a oportunidade de participar deste debate. É sempre muito rico e muito gratificante ter a oportunidade de trocar ideias e pontos de vista diferentes sobre assuntos tão determinantes em nossa cultura. Me colo à disposição para quem quiser conversar ou trocar mais alguma ideia. Meu email é carolina@designdemaria.com.br. Boa noite e muito obrigada!
  • Foto de Tainá A. Bueno de Oliveira
    Tainá A. Bueno de Oliveira

    em 16 de agosto de 2017 às 20:25:35

    Agradeço o convite! Foi ótimo participar e poder ter essa troca de experiências com todos! Esse é um assunto que temos que falar sempre para tentar diminuir essa desigualdade. Também me coloco a disposição para quem quiser conversar mais sobre o assunto! O meu email é tainabueno@gmail.com. Boa noite, pessoal e obrigada!
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